Cada um dá o que tem e o quer, que a gente tem a ver com isso?

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Valeu Dr. Dráuzio Varella, palavras tranquilas e precisas. 

1 - o argumento de não ser anti-natural (que os biólogos geralmente são familiarizados). O comportamento homossexual é natural de vários grupos de animais vertebrados, ex. aves, répteis e diversas espécies de mamíferos. Mesmo que você não acredite em evolução, ancestralidade, etc etc, não faria sentido um Criador proibir algo que é comum em seres puramente instintivos, sem maldade, que seguem piamente a lei da natureza que é feita por ele.

2- religião é uma coisa individual, cada um acredita e leva para sua vida própria. Um grupo de pessoas que acredita na mesma coisa forma uma igreja, e as regras da igreja valem pra quem participa dela, não para toda uma nação. Homossexuais têm sim o direito de casar no civil, casamento em si não é uma invenção cristã, é dos tempos do ronca bem antes de qualquer Jesus ou Moisés. Esse papo de ser só entre homem e mulher é triste, deixem os casais que se amam e constroem patrimônio juntos se casarem rapaz, eles não vão morar na tua casa e tu não vais ter de bancar a festa, qual a bronca?

3- falam de pregar a liberdade, mas não querem conviver com os diferentes estilos de vida. Se a pessoa é homossexual, e daí? Deixa ela fazer o que quiser, ser gay não é uma ofensa aos teus direitos. Assim como você deve ter o direito de criticar o homossexualismo, por considerar errado, outras pessoas podem considerar isso certo e apoiar. 

Mas lembrem-se, ofensas e afins são crime, tanto para quem apoia homossexualismo quanto para quem critica o conservadorismo. Você não deveria odiar alguém por nada nesse mundo, mas mesmo que você tenha um sério problema e o faça, guarde esse ódio para matar você de câncer, não para agredir verbalmente ou fisicamente ninguém.

Cidadão esponja

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Com essa velocidade e acessibilidade de informação, a cada dia, cada fato novo faz a mídia e milhares de pessoas discutirem exaustivamente por 30 minutos um novo assunto, mudando de tema como o mar muda (quase) caoticamente de direção na maré alta. Um dia é corrupção, outro homofobia, outro religião, outro é Miss Brasil (as vezes até 2 desses por dia). 

Isso poderia ser bom, mas não é. Gera um monte de achismos descontextualizados e superficiais, pessoas que acham que tem uma opinião correta/coerente porque se basearam no comentarista do jornal. Qual o problema disso? "É saudável o debate" vão dizer. Concordo, mas o que existe aí não é debate, é a necessidade (e a facilidade) de expor sua opinião à qualquer custo sobre qualquer assunto.

De que vale isso? Todo mundo precisa ter uma opinião sobre tudo? Essa característica de nossos tempos está gerando pessoas que sabem nada sobre tudo, que precisam se engajar em tudo, sob a penalidade de não estarem ligados, não estarem por dentro dos 500.000 fatos "mais importantes" que circulam no facebook e nos jornais todo mês.

Foi isso que fez um monte de gente marchar nas ruas, depois ir assistir apalermadas a nossa derrota de 7 x 1 na Copa e que agora se lamentar por não ter pra quem votar pra presidente, já que o grande Eduardo Campos, salvador do Brasil (sic), faleceu. A completa falta de rumo.

Ninguém precisa ser de esquerda/direita + cristão/muçulmano/ateu + homofobico/simpatizante + ambientalista/produtivista. Tem muita coisa que a gente não precisa ter opinião formada simplesmente porque não influencia em porra nenhuma nossa vida, mas nas que influenciam, é fundamental nos esforcemos pra estar entre os craques.

Bora logo botar nossos filhos pra lerem texto grande, pra eles terem de raciocinar para entender, estimular conversas entre as pessoas da casa para botar o povo pra pensar, etc etc. Não dá pra querer um mundo melhor, uma sociedade mais esclarecida, se em casa fica todo mundo com a cabeça abaixada no celular (ou no computador) só absorvendo, absorvendo, sem mastigar direito pra engolir e depois ter alguma serventia. 

Pa(i)stor de filhos

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Continuando meu exercício de não meramente dar parabéns, mas tentar enxergar qual o papel de meus pais em minha vida, agora gostaria de discorrer um pouco sobre meu querido pai.

Durante minhas auto-avaliações, comecei a enxergar uma certa dualidade existente entre pai e mãe, algo meio yin e yang. Como descrevi na postagem do dia das mães (http://fulerabrasil.blogspot.com.br/2014/05/dia-dia-das-maes.html), a relação com minha mãe seria a yin, algo mais interno, quase subconsciente, e com meu pai yang, meio que externa. Mas, externa como?

Em meus devaneios cósmicos, vislumbrei papai como um direcionador de fluxos, um ser que de forma alguma precisa romper abruptamente projeções ou impulsões no éter universal, mas que consegue com uma certa suavidade, me redirecionar para melhores percursos. Claro que isso não ocorre em sua plenitude, graças às minhas solavancadas repentinas, mas no geral, vejo que muito do que meu velho faz e fala durante minha vida, vem sendo fatalmente adsorvido e replicado. Por sorte tenho um ótimo pai: reto éticamente, bondoso como humano e ótimo raciocinador, o que vem facilitando com que eu trace um caminho muito agradável. 

E o mais interessante é me descobrir naquele lugar comum onde enxergamos de forma mais clara quão "falíveis" e semelhantes a nós são nossos pais (e mães), e enxergar neles verdadeiros heróis, por não fazer menor ideia de como trilhar uma vida que nem sempre é fácil com tanto sucesso. Mas, independente do que me espera, permaneço tranquilo, pois de um jeito ou de outro sempre terei um ótimo companheiro para seguir junto por esse vidão. 

Grande abraço pai!

Eleições, como seu voto não muda nada de nada.

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Nas últimas eleições eu escrevi um texto falando sobre essa tolice de defender fervorosamente um partido igual a time de futebol, algo passional e sem motivo real (ou com vários motivos que mais parecem desculpas). Bom, dessa vez vou mais fundo.

Facebook se tornou para mim uma rede social maçantemente repetitiva e com poucas e boas (muito boas) postagens. Dentre esse marasmo papagaial de compartilhamentos, vejo muita gente postando sobre a importância do voto. Durante a Copa era "não adianta mais protestar, vamos torcer pelo time do Brasil e mostrar nossa revolta com nosso voto", também rolam postagens do tipo "minha melhor arma contra corruptos é meu voto" e a mais recente "não é a política que faz o candidato virar ladrão. é seu voto que faz o ladrão virar político"... (sic)

Vou começar com um exemplo: Imagina que você quer reformar sua casa e um cara aparece dizendo que você deve contratá-lo para dar um jeito nela e que ele é muito muito bom e vai te cobrar $$ (muita grana) para fazer o melhor serviço da praça. Você, como bom brasileiro trabalhador endividado, fica logo desconfiado e enche o cara um monte de perguntas sobre os detalhes de como ele irá fazer tudo que prometeu. Ele desconversa e diz que é só contratá-lo que vai dar um jeito em tudo. Nem preciso dizer que você vai fazer aquela cara de "como é?" e dispensar o caboclo na mesma hora, não é mesmo?

Pois é, na política é quase a mesma coisa, com a diferença que somos obrigados a contratar alguns desses sujeitos que nem sabemos direito como vão trabalhar para resolver nossos problemas. Responda se isso faz algum sentido, porque pra mim não faz nenhum.

Seu voto só serve para contratar por 4 anos uma pessoa que:

1- não precisa prestar contas com ninguém que a empregou (só não deve fazer coisas ilícitas).
2- não precisa ter nenhum tipo de planejamento pré-estabelecido para ser contratada.
3- a equipe só não pode ser da parentada, mas pode ser toda a galera da pelada ou do boteco, já você não vai empregá-la pensando em quem vai trabalhar com ela.

Seu voto é uma arma? É a sua forma de descontar as safadezas? Não meu senhor e minha senhora, é uma mera formalidade para eleger pessoas que vão cumprir minimamente com as obrigações para com o povo e vão gastar maior parte do tempo agindo e pensando em como vão se reeleger, ou como vão retribuir os favores prestados pelos caras já bem ricos que os apoiaram na campanha.

Nosso voto só terá validade, quando essa turma tiver que, obrigatoriamente, apresentar com muita antecedência as suas propostas para os 4 anos de mandato e quem será sua equipe de governo. Também é fundamental estabelecermos mecanismos rigorosos de controle/avaliação (anualmente) do cumprimento do que foi prometido, senão o(a) caboclo(a) rapa fora.

Claro que para a política brasileira melhorar são precisos muito mais itens aqui, mas pensando na gente (o povo), acho que essa drástica mudança já garantiria pelo menos que votássemos em alguém que é obrigado a cumprir o que prometeu e precisa pensar bem antes no que e como vai trabalhar. Isso já me deixaria bem mais tranquilo e atento pra cobrar os serviços que eu contratei.

Mudança no blog

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Então turma, como vazei do Amapá, não fazia mais sentido continuar com o Amapazônia e tal. Aí, como a palavra fuleragem tem peso estratosférico em meu dicionário, utilizei-a para rebatizar esse espaço.

O foco vai mudar um pouco também, estou voltando às raízes mais esdrúxulas e vão sair paradas mais variadas e menos elaboradas. 

É isso.  Bora nessa.

Dia-a-dia das mães

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Quem consegue de verdade expressar a importância da sua mãe? Quem consegue descrever algo que permeia de forma tão entranhada sua própria essência?

Mãe não somente educa, cuida e dá amor, isso é o que a televisão diz pra vender mais presente. Com o devido peso da responsabilidade que esta afirmativa possui, a mãe nos “programa” desde que nascemos, essa é a verdade. 

Talvez algumas delas nem tenham noção disso e achem que as lições de moral, os conselhos e todos aqueles looongos discursos e conversas é que surtem efeito, mas esse blablablá todo, em geral só acontece quando nós, filhos, já não queremos ouvir mais nada e acabam não tendo muita serventia.

Elas nos moldam de forma perene em nosso cotidiano, desde que somos bebezinhos até a nossa morte. Elas são nosso primeiro elo de conexão com o mundo, o primeiro ser adulto que nos ensinará algo e nos capturará a atenção, a pessoa que primeiro nos relacionaremos, amaremos e teremos de lidar. As mães, em suma, são o primeiro reflexo do ser humano no mundo que iremos viver, são o parâmetro que levaremos por toda nossa vida, consciente e sub-conscientemente.

Lembrei rapidamente das músicas de alguns dos caras que gosto e falam sobre (suas) mães, Mother - Pink Floyd; John Lennon, e mais uma vez percebo quão mais do que mera fonte de amor as mães são em nossas vidas.

Pra minha sorte, de forma bem diferente das mães descritas por eles, fui criado por uma mãe amorosa, extremamente doadora de tudo e, na medida do possível, apoiadora de meus próprios rumos (confesso que às vezes eu pego muito pesado nos meus “des”rumos, né mãe?). Por isso, comemoro com muita alegria esse dia tão especial e dedico esse texto para demonstrar meu profundo respeito por minha amada mãe, Márcia Helena Galdino, e por todas as outras mães que tem a tarefa de maior responsabilidade, criar e “programar” pessoas.

Cegueira enfurecida

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O mundo está em guerra
Mas ninguém sabe de nada
Revolta em todo canto
População desenganada

A mídia não vê nada
Ou distorce o que viu
Culpando a maioria
de fudidos do Brasil

Cegueira enfurecida
Ninguém vê o furacão
Surgindo do descaso
Que fode a nação

Dona Mariazinha
Se espanta quando vê
Na tv tanta revolta
não entende o porquê
A vida não é fácil
Mas aqui foi sempre assim

Roubo e estupro são comuns
Pouca grana pra viver
Sem saúde e educação
Só o shopping de lazer

Cegueira enfurecida
Ninguém vê o furacão
Surgindo do descaso
Que fode a nação

O governo em desespero
Baixa lei anti-terror
Cidadão é terrorista
Se causar qualquer pavor

A polícia amola "os ferro"
Preparando pro que vem
E o povo do outro lado
Não vai ficar quieto também

Cegueira enfurecida
Ninguém vê o furacão
Surgindo do descaso
Que fode a nação

Sheherazade e o direito de defesa do cidadão

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Caros colegas, vejam bem. Uma coisa é a pessoa argumentar que, caso o Estado (federal, estadual ou municipal) não consiga garantir a segurança das pessoas, o indivíduo possa desenvolver mecanismos próprios de defesa. Eu não vejo problema nenhum em querer algo assim. Mas para isso, é preciso pensar em mecanismos bem claros e coerentes com os princípios éticos de nossa sociedade. Mas essa proposta, caros colegas liberais e socialistas, a jornalista com nome parecido daquela contadora de história das arábias não fez (e tentou remendar depois). Protegê-la e incentivá-la cegamente é cair no mesmo erro absurdo cometido pela galera que quer blindar os presos do mensalão, por exemplo.

Ela, como a maioria das vezes, em seus discursos enérgicos e "polêmicos" misturou o direito do cidadão se defender com o apoio a atitude violenta e incorreta dos caras que prenderam e espancaram o ladrão. Lei de talião como justificativa para governos incompetentes é um retrocesso cívico absurdo né? Não defendo bandido e acho que o cidadão deve sim ter direito a se defender, ostensivamente se necessário. Mas lançar esse tipo de comentário sem o mínimo de cuidado, como ela fez, não vai fazer as pessoas pensarem “Ah, quais os mecanismos legais que permitem que eu me defenda da violência? Eu quero poder me proteger contra a bandidagem.”, mas sim algo do tipo “É, se os caras são escrotos e espancam, roubam, estupram os cidadãos de bem, não vamos deixar barato! Bora pegar nossas armas e dar um jeito nisso”. Ou seja, velho oeste em pleno século 21.

Eu desconheço a existência de alguma lei que descreva como o cidadão pode se defender (ostensivamente ou não) da violência. Se tiver, por favor compartilhem. E se não existir, é preciso que se discuta essa possibilidade. Nossos indicadores apontam uma sociedade imersa em violência, nós, cidadãos de bem, nos acostumamos a temer certos lugares das cidades, a evitar andar com isso e aquilo, a criar pequenas fortalezas em nossas casas para ficarmos tranquilos, etc etc. Não devemos nos acostumar com situações assim, nunca. É óbvio que os governos não estão dando conta, qual seria a melhor forma de ficarmos seguros? Dar poder ao povo? Será?