Nas brenha das brenha

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Acorda cedo, viaja com sono
encontra o barqueiro, embarca cansado
se ajeita no banco, no meio das tralha
tres horas sentado, ainda com sono

Para na base, sorri para o povo
Xinga o vigia, acena e sorri
conversa com a chefe, assina o livro
tres horas se passam, embarco denovo

Agora alojado, no meio do mato
arma a rede, carrego bagagem
reclama calado, lá não tem gostosa
banha no rio, janta macio
olha pro céu, e dorme no ato

Dez dias correndo, pra ver se dá tempo
dez dias sofrendo, e o tempo correndo
e a gente andando, infinita floresta
pereba no pé, sorriso na cara,
só fica quem presta

Dez dias acabam, serviço bem feito
carrego bagagem, xinga vigia
volta pra casa, bagunça, privada
relatório, recurso, agonia
agora são vinte dia...
- nera tu que podia?

Sessão: Criatividade Zero, Lugar Novo - Sou Bolsista

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Aos prazos, lanço projetos
às verbas, olhares tristonhos
ao tempo, lanço dejetos
e de bolsas, vivo meus sonhos

Ao governo, peço uns trocados
e o governo, me dá meios trocados
mas de imposto sou isento, e isso não muda
também coitado, não trabalha, só estuda...

E se vão décadas de estudo
teorias mirabolantes
filosofias sobre tudo
mas sempre volto aos instantes

onde o prazo se finda
a verba se acaba
o tempo devora
e a bolsa, evapora

bem que mamãe me falava: "menino, vai procurar um emprego".
...acho que vou virar funcionário público...

Li po

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Poesia de um chinês de séculos atrás (nome no titulo), que eu tinha um livro mas perdi. Ele gostava de tomar várias e escrevia muito bem.


Bebo sozinho

Entre as flores há um jarro de vinho
Sou o único a beber: não tenho aqui nenhum amigo
Levanto a minha taça, oferecendo-a à lua:
com ela e a minha sombra, já somos três pessoas
Mas a lua não bebe, e a minha sombra imita o que faço

A sombra e a lua, companheiras casuais,
divertem-se comigo, na primavera
Quando canto, a lua vacila
Quando danço, a minha sombra se agita em redor
Antes de embriagados, todos se divertem juntos
Depois, cada um vai para sua casa
Mas eu fico ligado a esses companheiros insensíveis:
nossos encontros são na Via Láctea

Robert Charles, the King

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Eu gosto das músicas de Roberto
não por modismo atual, brega "alto astral"
mas pelo romantismo, meio que natural.
Roberto não esmiuçou a mulher como Chico
não louvou a mulher como Vinicius
nem chorou a mulher como Nelson

Roberto foi singelo e delicado
puro e muito sincero
desde seus rocks brilhantina
era de uma poesia leve e fácil rima
Falou de Deus e Jesus
sem as repetições eternas do "povo da cruz" (isso pra mim é admirável, independente de religião)

É por isso que ele é o Rei,
encantou as senhoras, tem show no ano novo
todo mundo regrava, e por isso eu sei,
que esse "bicho esperto", vai encantar tudo denovo

Sessão: Criatividade Zero, Novo Lugar - Avocado

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Suor por todo o corpo.
Foi esse o primeiro pensamento que veio em minha mente ao acordar no meio da madrugada quente de verão. Tivera um pesadelo, o mesmo que me assombra a algumas noites...
Desde que ele foi escolhido o melhor, e eu fiquei responsável pela sua apresentação ao público, a insegurança da falha, o medo da perda me consomem.
Rezo para que ele esteja bem. Mesmo estando a 10 metros de mim no outro aposento, eu rezo.
Levanto. A aflição, a ansiedade de ter a verdade revelada por meus olhos é excruciante. Saio do quarto evitando olhar pela brecha da porta entreaberta. Encho um copo de água gelada. Um instantâneo prazer percorre meu esôfago e atinge meu estômago, fazendo o calor escaldante parecer mais suportável, mas não o medo.
Olho para a porta.
Me impressiona a imbecilidade de temer algo que por anos foi a minha meta, por anos abdiquei da minha vida, minha mulher... Um sopro de coragem surge. Nada aconteceu, não ainda e eu sei disso. Involuntariamente meu corpo me leva à porta. Novamente sinto o calor... e o medo. Fito a brecha, encaro a porta e a empurro. Forte demais. Ela bate e minha esposa sonolenta reclama algo que não consigo entender, murmúrios débeis de repreensão.Mas lá está ele, exatamente na mesma posição. Iluminado pela lua que o deixa ainda mais belo.
E eu me acalmo. Saio do quarto fechando bem a porta, esboçando um sorriso de felicidade. Amanhã o mundo o verá denovo, e eu continuarei cumprindo meu papel, recolhendo os espólios do meu esforço.
E amanhã o mundo tornará a ver... o maior abacate do mundo.

Re, re, re, re, ssaca

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Os olhos pesam, queimam, teimam em não abrir
mundo cinzento, fétido e barulhento
fios de aço pulsam em minha cabeça latejando
e todo resto é estômago, nauseante

Tento levantar mas nada obedece
A cabeça reclama, quase explode
O estomago explode e eu corro
velozmente caio nas graças de minha alva dama
e num ato de reconcilio após tal exagero
meu corpo expulsa, ferozmente, os males de meus excessos

Após amargo perdão, relaxo, quase desmaio
desgrudo lentamente do frio chão
afogo na torneira os resquícios de meu repugnante discurso
caminho qual zumbi, miro a geladeira, como buscando a salvação
desisto, não vale a pena ser salvo
desabo no colchão e fecho os olhos
rezando para que o pesadelo acabe logo
odeio ressaca...

Sessão: Criatividade Zero, Novo Lugar - parte 2

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no pérfido esplendor de um rosto miro tua magnitude
ó bela ninfa soturna!
teus lábios carnudos, arroxeados
qual o beijo da morte.
desejo tocar-te, mas me é algo improprio, impuro
e me deleito com teus olhares, que são tão meus
e de tantos outros.

Ode ao Sedentarismo Saudável

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égua do bucho sem vergonha
que eu nutro todo dia
já investi tanta grana
mas ninguém o aprecia

até eu entro na nóia
dessa febre coletiva
de ficar todo sarado
e sem minha pança cativa

mas logo recupero o sentido
uma cerveja, um camarão
cadeira de frente pro rio
copo cheio na mão

a turma toda papeando
e quando eu vejo passando
um amigo besta ofegando,
grito logo chamando:
deixa dessa baitolagem,
tu num é homem "bejeto",
vem pra cá tomar uma breja
e deixa teu bucho queto!

Sessão: Criatividade Zero, Novo Lugar - parte 1

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tenho vergonha de mim
vergonha de tu
vergonha do que penso
vergonha de amar
vergonha do que falo
vergonha do que fiz
vergonha da vida
só não tenho vergonha de uma coisa,
mas tenho vergonha de dizer.